Cavalos que puxam charretes acabam no prato estrangeiro
- Laura Pereira de Melo
- 16 de mar. de 2016
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Fato que muitos ignoram, é que os cavalinhos que puxam charretes em cidades turísticas e históricas nada têm de bucólico em suas vidas. A legislação existente e a fiscalização são insuficientes e falhas, de modo que os animais são obrigados a trabalhar horas demais, carregar cargas sem que seja especificado um peso máximo, éguas trabalham prenhas, e a fiscalização referente a alimentação e cuidados veterinários é nula.
Para não mencionar os maus tratos que são constantemente testemunhados por qualquer pessoa que more em uma área onde carroças são utilizadas. O cavalo (e os burro) embora animais simpáticos ao homem, não são muito conhecidos assim como suas vidas, pois poucos podem conviver com eles no dia a dia. Mas a triste verdade, e que não data de hoje é estes animais são cruelmente explorados durante os cerca de 20 que duram suas vidas e depois são vendidos a baixíssimo preço a frigoríficos que os abatem para exportação de carne. Há no Brasil uma indústria da morte para estes animais.
O problema da destinação destes animais de tração, quando descartados por não poderem mais cumprir suas tarefas, é resolvido pelas autoridades competentes de forma muito simples, barata e até lucrativa, pois gera divisas para o pais ( embora dificilmente numa proporção realmente vantajosa) com a venda destes animais descartados para frigoríficos no território nacional, especializados em abate de cavalos.
No Brasil, a venda de carne equina é permitida por lei, mas o consumo é ínfimo, ao passo que o volume das exportações cresce continuamente, principalmente com destino ao Japão, Holanda, Bélgica e outros países europeus. O total de frigoríficos autorizados no abate de equídeos no Brasil atualmente – que, além de equinos, inclui mulas e asnos – passou para apenas três: um em Minas Gerais (Prosperidad, antigo Pomar), um no Rio Grande do Sul (o Floresta, em São Gabriel ) e outro no Paraná (o Oregon em Apucarana).
O Brasil ocupa a oitava posição no ranking dos exportadores mundiais de carne de cavalo, de acordo com o Ministério da Agricultura. No Brasil, não há sentido na criação de equinos somente para produzir carne. Segundo dados do Ministério da Agricultura, as exportações brasileiras passaram de US$ 34,1 milhões e 19.100 toneladas, em 2005, para US$ 6,772 milhões e 2.375 mil toneladas em 2012. A carne vai, basicamente, para França, Itália, Bélgica e Japão. A maior parte da produção do Brasil, 99%, é exportada para outros países, da Europa, principalmente Bélgica e Holanda, além de África do Sul Japão, China e Rússia. O equipamento usado no abate é o mesmo que é usado no gado bovino, de modo que não é bem adaptado para o abate de equinos, causando muita dor e pânico em um processo horrivelmente demorado.
Pistola de atordoamento (captive bolt) que dispara um parafuso na cabeça do animal - usado para deixar os animais inconscientes, o que nem sempre acontece, fazendo com que muitos animais permaneçam conscientes durante o abate ou acordem durante a chacina. Cavalos têm pescoços mais longos e, na tentativa de fugir do golpe agitando suas cabeças, o que obriga os encarregados do abate a repetir a perfuração várias vezes.A seguir animal (inconsciente ou semi-inconsciente, mas incapaz de se mover ou reagir) é pendurado por uma corda ou gancho e tem sua garganta cortada. É feita a decapitação, sendo que os animais muitas vezes estão semi-inconscientes durante o processo. Então é cortado em partes, e as entranhas e a pele são retiradas. Outra variante para o abate é uma máquina conhecida como "kill chute". O animal, atordoado ou não, é deitado e imobilizado dentro da maquina e recebe uma única pancada de compressão.