Mormo, doença infectocontagiosa em equinos.
- Casa do Produtor Rural
- 21 de jan. de 2017
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A equinocultura brasileira está em terceiro lugar na classificação mundial, com um rebanho de aproximadamente 8 milhões de cabeças, entre cavalos, muares e asninos. A criação de cavalos movimenta cerca de R$ 7,3 bilhões e o país fatura próximo a R$ 4,5 milhões em exportações do animal vivo, sendo o oitavo maior exportador mundial de cavalos. As principais atividades, atualmente, ligadas aos cavalos são as agropecuárias, sendo muito utilizado também em tratamentos de terapia, esportes e lazer.
Entre as doenças que atingem os equinos o Mormo merece destaque devido ao prejuízo causado ao animal e principalmente ao criador devido às exigências determinadas pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e necessárias quando os animais apresentam a doença, pois devem ser realizadas tanto nos animais quanto na propriedade.
O Mormo é uma doença infectocontagiosa que atinge os equinos desde os séculos 3 e 4 a.C., causada pela bactéria Burkholderia sp., e pode atingir também os seres humanos e outros carnívoros. Atualmente, a proporção de animais infestados por mormo é menor se comparado aos níveis no passado, pois antigamente os cavalos eram um dos únicos meios de transporte da população, isso fazia com que a doença ocorresse no mundo todo. No Brasil, o primeiro relato dessa doença ocorreu apenas no século 19 no ano de 1811.
A transmissão da doença ao animal ocorre principalmente através da ingestão de alimentos, água, forragens e melaço contaminados, porém o contato com a bactéria pode ocorrer através de outras formas como as vias respiratórias, pelos órgãos sexuais e pelo contato com excreções e secreções de animais contaminados mantidos no mesmo ambiente dos animais sadios. As condições de higiene e a idade do animal são fatores importantes na contaminação pela bactéria, pois quanto maior for à idade do animal e a sua debilidade por conta das más condições no confinamento, maior será sua suscetibilidade à doença.
Após a contaminação, a bactéria entra com contato com o organismo do animal e penetra a mucosa intestinal até atingir a corrente sanguínea. Inicialmente a infecção ocorre da forma aguda para a crônica. Na corrente sanguínea, a bactéria alcançará os demais órgãos como os pulmões, fígado e baço, ocasionando lesões internas, sendo que as causadas no pulmão são consideradas as mais importantes, pois se tornam crônicas e afetam toda a via respiratória do animal e, após romperem os brônquios, o animal passa a ser um meio de excreção da bactéria e foco de contaminação.
Os sintomas da doença surgem na forma de lesão na pele e nasal, formação de nódulos no sistema linfático, febre de até 42ºC, tosse e formações de pus na mucosa nasal. As lesões nodulares podem se desenvolver em úlceras profundas que darão origem ao escorrimento da secreção, que após a cicatrização formarão lesões na forma de estrela. Isso acontece principalmente quando a doença se encontra na fase crônica, podendo se manifestar de forma cutânea, linfática e respiratória. Na fase final da doença, ocorre broncopneumonia com tendência a morte do animal por ausência de oxigênio.agnóstico do Mormo deve ser feito de acordo com as recomendações do MAPA, feito unicamente por um teste de triagem, chamado teste de Fixação do Complemento (FC), e em alguns casos é realizado, também, o chamado teste de maleinização. O teste de triagem deve ser efetuado em laboratório credenciado e habilitado pelo MAPA; o teste complementar é executado pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO) de cada estado, pertencente à rede de diagnósticos do MAPA. O teste de maleinização deve ser feito apenas quando o animal for reagente ao teste FC (quando o resultado for positivo) e não apresentar sintoma clínico ou quando não reagir ao teste FC (quando o resultado for negativo), mas apresentar sintoma clínico. São dispensados do teste complementar os animais positivos ao teste e com sintomas clínicos. As exigências e as recomendações de controle constam na Instrução Normativa (IN) nº 24 de 2004, que também recomenda a validade dos testes, sendo 180 dias para animais originários de propriedades monitoradas e 60 dias para propriedades sem histórico de monitoramento.

Figura 1 – Profissionais autorizados realizando teste FC. Fonte: IEPEC Como o mormo é uma doença que ainda não possui um método de tratamento ou vacina eficaz, é inviável manter o animal infectado na propriedade, pois atua como foco da doença. Raramente acomete os seres humanos, porém é fatal quando se manifesta de maneira pulmonar ou generalizada. O indivíduo contaminado, geralmente profissionais de laboratórios, tratadores de cavalos e veterinários, deve ser medicado com antibióticos, por um período de 6 meses.
Segundo a IN 24, a propriedade que tiver no mínimo um cavalo atestado positivo para o teste FC, já se torna um foco da bactéria. A recomendação é a interdição imediata da propriedade e consequentemente a submissão a um regime de saneamento, devendo ser realizada a desinfecção do cocho, do bebedouro e demais instalações. Durante a interdição, os animais com mormo devem ser sacrificados e queimados, ou enterrados após o sacrifício na própria propriedade; os animais não diagnosticados devem passar novamente pelo teste de Fixação do Complemento.
A participação de equinos em provas de hipismo, corrida e eventos olímpicos é condicionada à apresentação dos resultados negativos do teste FC. No transporte interestadual é necessária a apresentação do resultado do exame, principalmente para aqueles animais que procedem de estados com focos da doença.
De 1968 a 2000, segundo o MAPA, o Brasil não apresentou casos da doença, por isso chegou a ser considerada erradicada. Porém, o número de casos da doença vem aumentando desde 2000, principalmente nos estados do nordeste e alguns casos isolados em São Paulo, Distrito Federal e Amazônia. Essas ocorrências significam que o país deve passar por sérias medidas de controle principalmente no transporte dos animais a fim de evitar a disseminação da bactéria para regiões livres da doença.
Fontes Consultadas
DEFESA APROPECUÁRIA. Mormo. Disponível em: <http://www.defesaagropecuaria.al.gov.br/sanidade-animal/mormo>. Acesso em: 24 ago. 2015
GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Informativo Técnico Nº6/Ano 04 – junho de 2013
IBGE. Produção da Pecuária Municipal. Brasil, v.1, 108p. 2013
LEOPOLDINO, D. C. C. Mormo em Equinos. Revista Científica Eletrônica De Medicina Veterinária. Ano VII, nº12, janeiro/2009.
MAPA. Equídeos. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/animal/especies/equideos>. Acesso em: 20 ago. 2015
MAPA. Instrução Normativa nº24. Disponível em: <http://www.cidasc.sc.gov.br/defesasanitariaanimal/files/2012/10/Instru%C3%A7%C3%A3o-normativa-n%C2%B0-24-Aprova-as-Normas-para-o-Controle-e-a-Erradica%C3%A7%C3%A3o-do-Mormo.1.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2015
Elaborado por Casa do Produtor Rural Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP
Douglas Augusto de Lima Cavalli Graduando em Engenharia Agronômica Estagiário - Casa do Produtor Rural - ESALQ/USP
Foto da capa: Free Images Acompanhamento técnico Fabiana Marchi de Abreu Engenheira Agrônoma CREA 5061273747 Casa do Produtor Rural Coordenação editorial Marcela Matavelli Agente de Comunicação DRT 5421SP Casa do Produtor Rural