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PROTEÇÃO ANIMAL E A POSTURA ANTIÉTICA DE GRUPOS SEM TRANSPARÊNCIA: ESTUDO DE CASO.

A maioria dos ativistas e protetores da causa dos direitos animais é de pessoas sem muitos recursos. Muitos até possuem uma ONG bem estruturada. Mas o fato é que a plataforma do Facebook continua sendo uma ferramenta simples e barata de difundir informação, organizar ações, promover o engajamento e trocar ideias e informações.

Ocorre que esta ferramenta, como todos sabem , carece de uma estrutura de segurança mais eficiente. É praticamente possível postar qualquer coisa. A ferramenta de denuncia deixa a desejar e as queixas sobre postagens abusivas que não são retiradas é uma constante.

Dito isso, nos deparamos no caso da causa animal e seus ativistas com um fenômeno que vem crescendo: pessoas que surgem em grupos de uma hora para outra e afirmando sem qualquer comprovação que prestarão algum apoio, ajuda ou serviço nos mais diversos casos de abuso contra animais. Temos apenas a palavra dessas pessoas, junto com muitas fotos e relatos voltados especificamente a causa comoção emocional. Afirma-se com facilidade e sem apresentar comprovação uma enorme quantidade de coisas. Na realidade a falta de transparência é quase total, o que é um grande problema e para não falar em falta de ética profissional, para qualquer grupo que esteja em uma mídia pública com sua publicação dirigida para um público especifico que merece e tem direito à informação. Sim, estes grupos, páginas, ONGs e semelhantes devem explicação de seus atos, transparência de suas afirmações e informações claras e detalhadas sobre o que afirmam ser, fazer ou ter feito. Especialmente quando o grupo em questão se propõe a arrecadar dinheiro e vender peças para custear alguma ação que alegam pretender executar.

No estudo de caso deste texto pretendemos citar as inconsistências, a falta de informação clara e detalhada, a falta de comprovação de afirmações feitas em um caso de combate à Farra do Boi.

Procurados por mim para esclarecer afirmações ambíguas em sua página, fui recebida com ameaças, insultos de baixo calão, deboche e a surpreendente afirmação de que não deviam explicações a ninguém. Possuo os “prints” para comprovar, uma vez que foram apagados logo em seguida a indignada reação pública. Mas não se trata de mim, se trata da SITUAÇÃO.

HÁ SIM necessidade e dever de prestar contas! Mas o presente texto não se destina a difamação ou acusação publica de qualquer grupo em particular. O que queremos salientar é a estratégia de comportamento que grupos “pouco claros” tendem a usar. Naturalmente, como a questão da Farra do Boi interessa ao Coletivo dos Ativistas que frequenta o Facebook passamos a expor as informações que foi possível coletar de terceiros, levando em conta que são indiretas, e mostrar por meio de citações dos contatados e consultados as inconsistências ( falta de transparência) encontradas.

Tomemos um exemplo hipotético no qual apareçam varias características suspeitas. Podemos imaginar uma página ou grupo que alegue defender a luta contra a vaquejada ou a Farra do Boi.

Normalmente estas publicações tem um espaço para descrição do grupo. Se observarmos como procedem as ONGs importantes, sites ou até revistas eletrônicas vamos encontrar um espaço semelhante para a apresentação do staff, das propostas de trabalho, objetivos e missão do grupo. O staff é apresentado com detalhes claros quer sejam mais ou menos detalhados. Mas na nossa página hipotética que se propõem a uma tarefa de grande envergadura como as citadas não encontramos nada disso, apenas vagas informações como “imprensa”,”ativistas” “defensores do direito animal”. Não creio que seja absurdo qualquer um que deseje contribuir, especialmente se há pedido de dinheiro, ter a curiosidade de saber, e perguntar, quem exatamente são as pessoas, o que exatamente pretendem fazer e como antes de ajudar, ou contribuir com dinheiro.

Da mesma forma, qualquer um que já tenha acompanhado campanhas e trabalhos mais longos, como os da página hipotética anuncia que irá fazer,sabe por experiência e concorda com o procedimento de que as etapas do trabalho prometido/anunciado sejam documentadas e apresentadas com detalhes e sem contradição aos público interessado. Isso se chama postar regularmente atualizações do caso, ou, transparência. Isso é desejável não apenas na parte financeira, mas nas etapas de execução do trabalho. Por exemplo: é feito um resgate. É prova de boa fé e obrigação para com quem os apoia financeiramente ou não, dar conhecimento de quem fez o resgate, como foi feito, outros participantes. Da mesma forma deve-se informar qualquer problema ocorrido, os procedimentos legais feitos juntamente com a documentação. Um histórico do ocorrido e um relatório periódico da evolução do caso.

Mesmo que exista a necessidade de manter em sigilo algumas informações, devido a perigos que os envolvidos precisem se proteger ou aos animais, mesmo isso pode ser informado de modo adequado: “a informação X esta sob sigilo devido ao fato y e/ou z”.

Não existe isso: “deixa comigo eu sei o que faço”, “confie em nós” e muito menos “ “não devemos satisfação”. Observem, pesquisem, comparem como é feito o trabalho de intervenção e resgates em outros páginas ou sites. Sempre existe a preocupação de informar o público da comunidade em questão. Isso é prova de seriedade e profissionalismo. Não sou eu que estou dizendo é um fato comprovável em outros grupos de ação.

Cabe também informar TUDO, acompanhado de explicações caso se trate de assuntos mais complexos e que não são de domínio público comum, com detalhes legais, veterinários, legislações especificas que sejam pertinentes ao caso, e não apenas algumas informações selecionadas e apresentadas com viés de incitar respostas emocionais e instigadoras de má vontade com essa ou aquela instituição, local ou pessoa.

Como pessoa que participou de ação semelhante, onde um número representativo de cavalos foi retirado de uma localidade onde eram explorados e transferido para um santuário, observei como todos os procedimentos legais, veterinários e de transporte foram regularmente apresentados publicamente, explicações e aviso dados com regularidade e o sigilo exigido em uma etapa final tratado com propriedade diante do público, fazendo-os compreender o motivo e necessidade de proteção dos animais naquela etapa. Toda documentação foi postada, toda questão respondida, muitas fotos e declarações oficiais apresentadas.O resultado foi, não apenas sucesso para a libertação dos cavalos, mas esclarecimento, aprendizado e estabelecimento de confiança entre o público e os membros do grupo que desenvolvia a ação.

Um ativista responsável deve exigir informações claras, detalhadas e regulares daqueles nos quais está depositando sua confiança e às vezes até dinheiro. Nenhum ativista sério deve contentar-se com meias informação, truncadas, sem começo e fim. O ativismo não difere de outras relações de confiança entre pessoas que muitas vezes pouco se conhecem. Ninguém adquire uma mercadoria ou contrata um serviço sem saber com que esta tratando, e demais condições, informações ou garantias não é? A praxe do profissionalismo pede que mesmo sem exigência, se preste todas as informações e contas.

No Facebook quem nunca foi alvo ou soube de alguém alvo de uma fraude grande ou pequena? Como se pode, portanto, acreditar e proceder como se essas coisas fossem impossíveis de acontecer? Como se é possível tratar questões de vida ou morte para os animais com tal nível de ingenuidade?

Não se trata como muitos querem levar a crer que pedir informações seja um ato destinado a denegrir, prejudicar, rivaliza ou desagregar. Pensa assim quem age desta forma e projeta em outros essas intenções.

Os avisos, e alertas levantados por outros ativistas deve igualmente ser vistos com ponderação. Muitos ativistas sérios, com experiência sentem dificuldade de alertar companheiros quando sua conduta séria não é levada em conta ao levantar uma questão.

A prática padrão de um lado é sempre oferecer esclarecimentos, e do outro, jamais aceitar uma afirmação pelo seu valor de face (apenas porque é dita por uma pessoa). Isso evita um mundo de complicações. Não necessidade de ninguém se sentir melindrado. Esse é o procedimento quando há seriedade e honestidade de ambas as partes.

Sempre presto contas, jamais me ofendi com perguntas ou pedidos de esclarecimento. Sei que este é o papel de quem esta de fora de uma ação.

E é assim que sempre deve ser.

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